Por que minha equipe não está coesa?
  • Dr. Gustavo Guzmán

Por que minha equipe não está coesa?

Atualizado: 11 de Out de 2019


Equipe Coesa

Na maioria dos casos em que a equipe não funciona como esperado, é possível ver as consequências, mas dificilmente a causa. A falta de coesão em uma equipe geralmente é o sintoma da falta de visão compartilhada. E isso é importante? Muito!

Os resultados negativos da falta de uma visão compartilhada são alarmantes para uma equipe: déficit na tomada de decisões e na resolução de problemas, baixa interdependência nos procedimentos de colaboração e todas as consequências que surgem dessas deficiências.

A visão compartilhada é um elemento extremamente importante nas equipes de alto desempenho, algo que cada um de nós busca ao trabalhar em equipe: uma equipe REALMENTE eficaz.

Weinberg e McDermott[1], acreditavam que existia uma relação entre equipes esportivas de alto desempenho e organizações de negócios bem-sucedidas, e a fim de encontrar elementos que explicassem o sucesso organizacional, desenvolveram pesquisas cujos resultados mostraram-se muito interessantes

Eles se perguntavam quais eram os aspectos chave que relacionavam o alto desempenho nas organizações com o das equipes esportivas. Depois de entrevistar 10 atletas e muitos outros líderes empresariais sobre liderança, coesão do grupo e comunicação, eles descobriram um certo grau de adaptação.

Os líderes dos campos organizacional e esportivo concordaram que um estilo de liderança interativo apresentava melhores resultados, e sempre que possível eles estavam inclinados a um modelo mais democrático. Normalmente, a coesão da equipe era alcançada através da criação de uma visão compartilhada, na opinião dos líderes dos dois setores. Os gerentes aprendem com esses aspectos revisando a visão da organização de maneira democrática; isto é, deixar a equipe aperfeiçoar a visão.

E é aqui que o líder adquire um papel fundamental mas, para isso, ele deve modificar seu estilo de gestão, tornando-se um líder facilitador. Horácio Cortese[2] aborda esse ponto em seu livro e propõe uma profunda mudança na maneira de gerenciar que afeta em grande medida os valores que o líder deve começar a considerar.

“Definitivamente os líderes baseados no modelo de controle unilateral, e, como consequente resposta, a conformidade, não alcançarão a transformação esperada.

A visão compartilhada faz com que os indivíduos se sintam comprometidos, porque se baseia em seus valores, respeita suas preocupações e considera suas aspirações. Isso não significa que os líderes não devam dar forma à visão, significa que em sua formação seja considerada a participação dos funcionários. É a única forma de conseguir que eles sintam que seu trabalho tem um propósito, que verdadeiramente partilham a visão e não somente a adotam.

O tipo de líder que as organizações inovadoras precisam é o que trabalhe a partir de um conjunto de valores consistentes com os conceitos do empowerment, compromisso, cooperação, aprendizagem e parceria. Os valores fundamentais enfatizam a abordagem de facilitação…”

Portanto, o que o líder facilitador pode fazer? Como aplicar os valores que são tão importantes ao criar a visão compartilhada? Cortese propõe as seguintes ações:

• Servindo o interesse de todos e pensando sistemicamente;

• Aumentando a responsabilidade, a propriedade e reduzindo a dependência.

• Criando condições de aprendizagem.

Depois do que foi desenvolvido até agora, é evidente que a necessidade não é apenas de as pessoas recebam feedback, mas de ajudar à unidade de trabalho a se tornar uma unidade mais eficaz e colaborativa, bem como com mais capacidade para solução de problemas e mais metas a serem alcançadas. Gradualmente, tentamos passar de um método não estruturado para um processo mais focado e definido para formar um grupo de pessoas interdependentes em procedimentos colaborativos e resolução de problemas.

Peter Hawkins[3] acredita que as organizações têm uma nova visão, muito diferente da antiga, baseada em liderança eficaz e onde o trabalho em equipe é essencial. Ele disse:

“Observamos uma mudança revolucionária na maneira de pensar das organizações, bem como na prática do Management e o desenvolvimento da liderança.

Sabe-se agora que líderes e gerentes aprendem as lições mais importantes em seus trabalhos ao enfrentar desafios reais; ao trabalhar com outras pessoas, seja em equipe ou fora dos seus limites e cometendo erros.”

Hawkins propõe que a liderança eficaz e o desenvolvimento gerencial precisam ser:

Sobre cognição e afeto.

Experimental e personificado.

Relacionados a desafios reais e que realmente importam.

Uma aprendizagem coletiva, para que os relacionamentos progridem ao mesmo tempo que as pessoas.

Através de ciclos de aprendizagem em ação (ação, reflexão, novo pensamento, planejamento e ensaio e nova ação).

Contudo, a experiência nem sempre fornece um aprendizado efetivo. A maioria de nós pode repetir os mesmos comportamentos ineficazes esperando obter resultados diferentes. Transformar a experiência em aprendizado requer habilidades para se tornar um profissional reflexivo, bem como formas de coletar o aprendizado, algo que é raro que as pessoas consigam por si mesmas.

Uma importante empresa de serviços profissionais possui uma política global que abrange todo o desenvolvimento da organização, constituindo um exemplo simples da nova visão organizacional:

70% de aprendizado no trabalho.

10% de aprendizado em oficinas, conferências e cursos.

20% de Coaching que fornece a coesão essencial para unir aprendizado teórico com aprendizado prático.

Portanto, se você está se perguntando por que uma equipe não é coesa, a primeira coisa que deve verificar é se os membros realmente têm uma visão compartilhada e, junto com isso, como é o estilo do líder. Se a análise for meticulosa, não será estranho descobrir que grande parte da falta de coesão é responsabilidade do líder. O bom disso é que o coaching de equipe com base sistêmica é totalmente capaz para ajudá-lo a transformar esse grupo em uma equipe de alto desempenho.

[1] Weinberg, R. e McDermott, M.: "Análise comparativa de organizações empresariais e esportivas: fatores críticos para o sucesso organizacional", Journal of Applied Sports Psychology, 2002, 14, pp. 282-298.

[2] Horacio, E. Cortese: Manual de coaching de Equipes: 4D. Uma metodologia para o desenvolvimento de equipes efetivas e inovadoras, 2019, Versão portuguesa.

[3] Peter Hawkins: Coaching e liderança de equipes: coaching para uma liderança com capacidade de transformação,2012, pp. 86-87






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